Outros Santos Redentoristas

 

São Clemente Maria Hofbauer

Celebramos, em 15 de março, a festa litúrgica de São Clemente Maria Hofbauer.

São Clemente, cujo nome de batismo era Hansl, nasceu em 26 de janeiro de 1751,na pequena aldeia de Tasswitz, na atual República Tcheca e faleceu em 15 de março de 1820, em Viena.

Clemente Maria Hofbauer foi beatificado no dia 29 de Janeiro de 1888 pelo Papa Leão XIII e canonizado como santo da Igreja católica no dia 20 de maio de 1909. Em 1914, o Papa Pio X concedeu-lhe o título de Apóstolo e Patrono de Viena.

ORIGENS

Nascido em uma família muito pobre (e numerosa - era o nono dos doze filhos nascidos do casal Maria e Paulo Hofbauer); ficou órfão de pai aos seis anos.

Conta-se que na ocasião da morte de seu pai, Clemente escutou de sua mãe, apontando para o crucifixo: “Meu filho este será daqui por diante o teu pai; nunca o ofendas com pecado nenhum!”. Esta lembrança acompanhou Clemente por toda a vida.

Desde os doze anos, Clemente pensava em ser padre, mas a falta de dinheiro para custear os estudos e a necessidade de ajudar no sustento da família não permitiram a sua ida para o seminário.

Entretanto, Clemente não perdia tempo: ajudava nas missas e estudava latim com o vigário de sua paróquia. Foi padeiro, andante, ermitão, catequista e sacristão. Estudou filosofia e cursouo primeiro ano de teologia na Universidade de Viena. Resolveu, entretanto, continuar seus estudos na Itália, em função da perseguição do governo austríaco às ordens e congregações religiosas.

CLEMENTE E A CONGREGAÇÃO REDENTORISTA

Narra a história que Clemente chegou à Roma em outubro de 1784, acompanhado do seu amigo Tadeu Hübl. Eles se hospedaram numa modesta pensão e combinaram de ir a missa na manhã seguinte, na igreja que os despertasse com os seus sinos. Foram despertados pelos sinos da Igreja de São Julião, onde trabalhavam os Redentoristas. Solicitaram, então, suas admissões no noviciado, no que foram prontamente atendidos, tornando-se os primeiros Redentoristas não-italianos.

Foram trabalhar em Viena na Áustria, onde ficaram apenas por um ano, devido as perseguições do governo daquele país. Atendendo a um convite do Núncio Apostólico em Varsóvia (Polônia), seguiram para aquela cidade com o propósito de cuidar dos muitos católicos alemães do rito latino. Estabeleceram-se na Igreja de São Beno, onde constituíram a primeira Comunidade Redentorista fora da Itália, e onde trabalharam por vinte anos, até serem expulsos em 1808 de Varsóvia pelo exercito francês. O número de Redentoristas trabalhando em São Beno chegou a 21 padres e 7 irmãos. Havia também cinco noviços e quatro seminaristas poloneses. A partir deste feito de Clemente, a Congregação do Santíssimo Redentor se espalhou pela Europa e pelo resto do mundo, chegando inclusive ao Rio de Janeiro em março de 1904.

São Clemente é considerado o segundo fundador da Congregação do Santíssimo Redentor, tal foi a sua importância na difusão do carisma redentorista.

O SANTO DO COTIDIANO

Clemente tornou-se santo pela sua fé profunda e inabalável em Deus. Tinha um temperamento forte, mas era muito caridoso. Sabe-se inclusive que ele precisou pedir esmolas para manter o orfanato que havia fundado. Era uma pessoa humilde e, quando as coisas apertavam, não exitava em bater na porta do sacrário, para pedir socorro a Deus.

Conta-se também que certa feita Clemente encontrou dois homens bebendo em um bar e dirigindo-se a eles pediu uma esmola para o orfanato que fundara. Um dos homens cuspiu em seu rosto e disse: “Eis a sua esmola”. São Clemente, tirando um lenço do bolso, limpou-se e retrucou dizendo: “isto é para mim, e o que o senhor tem para as minhas crianças?”. O homem desconcertado converteu-se e fez uma generosa oferta para o orfanato.

Ao contrário de São Geraldo, não encontramos na vida de São Clemente milagres espetaculares, mas uma fé firme, forjada nas dificuldades do dia a dia, nos acertos e nos fracassos de uma vida dedicada a levar a copiosa redenção ao mundo. O principal traço da sua santidade foi a simplicidade.

COLUNA DA IGREJA

A Polônia ficou numa situação muito complicada com a assinatura, em 1807, do Tratado de Tilsit. Por este Tratado o rei Frederico Augusto da Saxônia, tornou-se o arqueduque de Varsóvia. Frederico Augusto era católico, mas pressionado pela tropas francesas e pela marçonaria, expulsou os redentoristas daquela cidade, que foram presos e levados para Berlim, onde, após quatro semanas de prisão, a comunidade foi obrigada a dissolver-se.

Depois de sair da prisão, Clemente volta a Viena. Este retorno foi muito dificil; ele e seus dois companheiros foram presos diversas vezes acusados de espionágem.

Em Viena, tornou-se diretor espiritual das Irmãs Ursulinas e reitor da igreja de Santa Úrsula.

Infuenciou nas decisões do célebre Congresso de Viena, ocorrido em 1814, com o propósito de reorganizar a Europa, após as guerras napoleônicas.

Enquanto reitor de Santa Úrsula, Clemente reuniu um grande círculo de universitários e outros jovens, por quem era amado e respeitado como um pai.

O Imperador da Áutria, Francisco II, ficou muito impressionado com os elogios feitos pelo Papa Pio VII a São Clemente, por ocasião da sua visita a Roma, e resolveu conhecer a Regra da Congregação. Naquela ocasião, o Santo Padre se referiu a Clemente como “um homem verdadeiramente apostólico, adorno do clero e coluna da Igreja”.

Na tarde do dia 15 de março de 1820, o imperador assinou o decreto de aprovação, permitindo o estabelecimento da Congregação do Santíssimo Redentor na Áustria. Horas antes, entretanto, morria São Clemente, realizando-se a sua profecia de que a Congregação somente seria aprovada no seu país, após a sua morte.

Ao tomar conhecimento da morte de Clemente, o Papa Pio VII se expressou da seguinte forma: “A religião perdeu na Áustria seu mais firme pilar”.

São Clemente foi enterrado no cemitério de Enzersdorf e sobre o seu túmulo foi escrito o seguinte epitáfio: FIDELIS SERVUS ET PRUDENS, que significa SERVO FIEL E PRUDENTE.

EXEMPLO

O grande exemplo de São Clemente para nós, foi o zelo pelas coisas de Deus e a sua obstinação em levar a copiosa redenção ao maior número de pessoas possível, não se deixando abater pelas dificuldades da vida.

Peçamos a Deus que nos conceda a graça de, inspirados por São Clemente, perseverarmos nos seus caminhos. São Clemente interceda por nós !

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São Geraldo Magela

Geraldo Majela é um confrade nosso, e que não foi nem sacerdote nem diácono. Um leigo, companheiro no carisma do grupo e na mesma missão. Santificou-se com a espiritualidade redentorista, consagrado, vivendo em comunidade com todos os confrades e no serviço ao povo.

Este santo Irmão Redentorista nos ensina a contemplar o rosto de Cristo, reconhecido na oração e nas necessidades práticas do povo. São Geraldo educa seus devotos a fazer da Igreja a casa e a escola de comunhão. Mostra-nos o caminho da vida feita de perdão, recomeços e reconciliação. O devoto de São Geraldo vive na esperança, sente as bênçãos que recebe e ganha força de vida. Isso o faz muito querido mesmo. E como Irmão suscitou muitos outros irmãos para a Congregação. Vários são santos.

São Geraldo, o amado de Deus

O maior desejo de Geraldo Magela foi ser como Jesus: amar muito a Deus. Fazer tudo por Deus. Amar tudo por Deus. Conformar-se com seu santo querer. Sofrer tudo por Deus. Olhando com esse mesmo olhar de fé.

Há paralelos interessantes que nos facilitam entender o mistério da vida santa deste jovem Irmão Redentorista.

Jesus não veio em meio ao poder. Geraldo é do povo simples. Família pobre lutando para viver, ele viveu envolto em fraqueza. E morrerá também cedo. Sua mãe o acompanha. Até que rompe com ela por causa de sua Missão. Tal Maria e Jesus. Estes significados são espirituais!

Percebendo o conjunto da história vivida por Geraldo, devemos dizer, na alegria, que de fato é alguém escolhido para testemunhar o amor de Deus por meio de sua fragilidade. Nada de romantismo. Mas foi mesmo uma pessoa abençoada. Um veículo muito especial da graça de Deus. Foi e permanece uma revelação do rosto de Cristo entre nós.

Geraldo tinha dentro de si uma luz que vinha de Deus. E irradiava. Não alimentava ambições que viessem preencher seu espaço interior, sua subjetividade. Esta era habitada por seu desejo imenso de amar a Deus e realizar o bem­-querer de Deus em tudo. Com Jesus, seu amor era sua missão de pacificar vidas.

Deus foi o objeto de sua busca amorosa.

Sobre sua vocação escreveu:

“A divina vontade quer que eu siga adiante com água e vento: nesse caminho Ele quer que eu siga adiante. Ele quer e eu quero”.

Declarando confiança em Deus, confessando sua miséria interior:

“Confio e espero somente em Deus, pois conheço bem a minha miséria. Se assim não fosse, já teria perdido a cabeça”.

Em alguns momentos, demonstra uma pontada de tormento, ou não?

“Todos nós somos tentados em nossa vocação. E Deus prova-nos assim para ver nossa fidelidade”.

Cada um de nós pode aprender de Geraldo a não deixar Deus sem lugar em nossa subjetividade e sem vez em nossas buscas. É só praticar diariamente o que nosso santo chamava de EXAME DO ESCONDIDO INTERIOR.

Geraldo: uma dádiva que a Congregação Redentorista recebeu nos inícios de sua fundação. E sua presença hoje junto ao povo continua fazendo dele um guia. Geraldo, o amado de Deus.

Também você internauta, pode ser o(a) amado(a) de Deus. Como Jesus.

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São João Nepomuceno

João Nepomuceno nasceu na Boêmia, atual Eslováquia, no dia 28 de março de 1811, filho de Felipe Neumann e Agnes Lebis. Freqüentou a escola em sua cidade natal e entrou para o seminário em 1831. Era autodidata, por isto, sua educação acadêmica foi aprimorada com o domínio e fluência de vários idiomas.

João completou a preparação para o sacerdócio em 1835. Desejava ser padre logo, porém o bispo suspendeu as ordenações, pelo excesso de padres nas dioceses da Boêmia. Mas João não desistiu. Aprendeu inglês trabalhando, e escreveu aos bispos dos Estados Unidos. A resposta veio do bispo de Nova Iorque. João abandonou a família e cruzou o oceano para ser sacerdote, atendendo ao chamado de Deus, numa terra nova e distante.

A diocese nova-iorquina possuía apenas três dúzia de padres para mais de duzentos mil católicos. Padre João recebeu uma paróquia onde a igreja não tinha torre e o chão era de terra. Mas isso não o preocupava muito, pois ele passava o seu tempo visitando doentes, ensinando e evangelizando.

Padre João tinha a intenção de participar de uma congregação, por isto procurou padres redentoristas, que se dedicavam aos pobres e abandonados. Foi aceito e ingressou na Congregação e se tornou o primeiro padre ordenado no novo continente a professar as Regras dos redentoristas na América, em 1842. Sua fluência de idiomas o qualificou para o trabalho na sociedade americana composta de muitas línguas, no século dezenove.

Em 1847 foi eleito pela Congregação o superior geral dos redentoristas nos Estados Unidos. João ocupou o cargo durante dois anos, quando a fundação americana passava por um período difícil de adaptação. Deixou a função com os padres redentoristas bem preparados para serem uma congregação autônoma, o que ocorreu em 1850.

O Padre Neumann foi nomeado Bispo de Filadélfia em 1852. Sua diocese era muito grande e se desenvolvia com muita rapidez. Por isto, decidiu introduzir no país a educação católica. Organizou um sistema diocesano de escolas católicas, fundou a congregação das Irmãs da Ordem Terceira de São Francisco para ensinarem nas escolas, que na sua diocese em pouco tempo duplicaram. Padre João construiu mais de oitenta igrejas durante o seu bispado, dentre elas iniciou a catedral de São Pedro e São Paulo.

Padre João Neumann era um homem de estatura pequena e de saúde frágil, mas sempre se manteve muito ativo. Além das obrigações pastorais, achou tempo para a atividade literária. Ele escreveu inúmeros artigos em revistas e jornais católicos; publicou dois catecismos e uma história da Bíblia para as escolas.

Ele morreu de repente enquanto caminhava pela rua de sua cidade episcopal. Era 5 de janeiro de 1860. O papa Paulo VI o beatificou em 1963 e foi canonizado pelo mesmo papa no dia 17 de junho de 1977, em Roma. Na cerimônia, assistida por uma multidão de fiéis americanos que fizeram a mesma rota marítima do Santo João Nepomuceno Neumann, só que em sentido inverso, o Papa decretou o dia 5 de janeiro para seu culto litúrgico.